Atualizado em outubro de 2026: as sanções de cinco itens do capítulo 1.5 da NR-1 estão suspensas pelo STF (ADPF 1316), e a obrigação de gerenciar os riscos continua.
A NR-1, com a redação da Portaria MTE 1.419/2024, pede que as empresas gerenciem os riscos psicossociais relacionados ao trabalho. A atividade física tem boa evidência a favor da saúde mental, mas é preciso separar as coisas: ela ajuda as pessoas e não remove os fatores de risco que estão na organização do trabalho, como sobrecarga, falta de controle ou assédio.
Este artigo mostra o que a ciência diz e onde a atividade física pode entrar no gerenciamento de riscos.
O que a ciência diz sobre exercício e saúde mental
Ansiedade e depressão
Uma revisão publicada no British Journal of Sports Medicine em 2023 (Singh e colegas) reuniu 97 revisões sistemáticas, com 1.039 ensaios e 128.119 participantes, e encontrou efeito moderado da atividade física sobre sintomas de depressão e de ansiedade. Os mecanismos ainda são estudados; entre as hipóteses estão mudanças na resposta ao estresse e no sono.
Sono
A atividade física regular está associada a um sono melhor, e o sono pesa na recuperação física e emocional. A relação vale nos dois sentidos: dormir mal também dificulta treinar.
Inatividade como risco em si
Segundo a OMS (relatório global sobre atividade física, 2022), se nada mudar, a inatividade física vai levar a quase 500 milhões de novos casos de doenças crônicas, como doença cardíaca, obesidade e diabetes, no mundo, entre 2020 e 2030. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 (IBGE) apontou 40,3% dos adultos como insuficientemente ativos.
Onde a atividade física entra no PGR
O PGR registra os riscos e as medidas de prevenção, e as medidas principais para riscos psicossociais agem na organização do trabalho. Um programa de atividade física pode aparecer como medida complementar de promoção da saúde, a critério da empresa com o SESMT ou a consultoria de SST, principalmente quando:
- Há registro de participação, com data e duração
- O programa é aberto a todo o time
- A adesão é acompanhada ao longo do tempo
- Os dados respeitam a privacidade de cada pessoa
Um programa sem registro de execução é só uma intenção. Com registro, vira dado concreto para apoiar o PGR.
Acesso não é participação
Muitos programas de bem-estar oferecem acesso: academia com preço especial, app de meditação, convênio com clínica. Acesso é bom, mas não mostra uso. Numa fiscalização, o que pesa é o que a empresa fez diante dos riscos que identificou.
Programas que geram registro de atividade realizada, com data e duração, criam registros que apoiam o PGR. No Vale Wellness, cada dia com 30 minutos de atividade registrada e conferida fica registrado com data, modalidade e duração, e o painel mostra a adesão do time. A localização serve só para validar o treino e não vai para a empresa.
Custo e faltas: o que os estudos mostram
Uma revisão publicada na Health Affairs em 2010 (Baicker, Cutler e Song) estimou que, nas empresas americanas analisadas, cada dólar investido em programas de bem-estar reduziu cerca de US$ 3,27 em custos médicos e US$ 2,73 em custos com faltas. Estudos mais recentes e mais rigorosos encontraram efeitos menores: num ensaio com 32.974 empregados, o exercício relatado subiu, sem efeito significativo em faltas nem no desempenho em 18 meses (Song e Baicker, JAMA, 2019). Por isso vale medir: quantas pessoas participam, com que frequência, e o que muda nas faltas e nos afastamentos da sua equipe.
Mover o corpo faz bem à saúde mental, e a NR-1 pede que a empresa gerencie os riscos do trabalho. As duas coisas se somam, mas uma não substitui a outra.